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Governo do Pará vai atrás de capital português para desenvolver sua indústria

Belém do Pará, 03 Fev (Lusa) - O governo do Pará deve enviar uma missão empresarial a Portugal, em abril ou maio, a fim de conseguir investimentos para o desenvolvimento industrial do Estado.

No ano passado, 20 empresários paraenses contataram membros da Associação Industrial (AIP), de Lisboa, e Associação Empresarial de Portugal (AEP), do Porto, mas não foram fechados negócios.

Segundo o presidente da Câmara Luso-Brasileira de Comércio, Indústria e Serviços do Pará, Reginaldo Ferreira, autor da iniciativa, a idéia é mostrar aos portugueses as oportunidades de negócios no Estado. Ferreira disse à Agência Lusa que o objetivo é conseguir tecnologia por meio da instalação de novas empresas ou de parcerias com unidades locais, a fim de melhorar a qualidade das exportações do Estado.

O secretário Especial da Produção do Pará, Sérgio Leão, explicou que a tecnologia e a experiência dos portugueses contribuirá muito com o desenvolvimento dos pólos de pesca, madeira e couro. "Em vez de exportar couro, queremos exportar calçados, cintos e malas; em vez de madeira, vamos vender móveis", observou o presidente da Câmara.

O Pará, segundo ele, é o maior produtor brasileiro de camarão rosa e minérios, como ouro e bauxita, além de grande produtor de couro, madeiras, palmito, pimenta, pescado e frutas.

Ferreira lembrou também o grande potencial turístico do Estado, tanto cultural, de Belém, quanto ecológico, já que grande parte da floresta amazônica fica no Estado. "Muitos casarões coloniais de Belém poderiam ser transformados em belas pousadas, um ramo que os portugueses conhecem bem e ainda é pouco explorado na cidade", lembrou ele.

Para o presidente da Câmara, o turismo local poderia completar o do Nordeste. "O turista poderia ir além das praias, passar pela exótica floresta e pelos rios amazônicos", disse ele.

Como argumento para convencer os empresários, Ferreira lembrou que a mão-de-obra no Estado é mais barata que a portuguesa e três quartos da população local é luso-descendente.

Os projetos industriais poderão ser financiados pelo Banco da Amazônica (Fundo de Financiamento do Norte), com prazos longos e as taxas de juros mais baixas do país, segundo o secretário de Indústria, Comércio e Mineração, Ramiro Bentes. Reginaldo Ferreira chamou a atenção, ainda, para o desequilíbrio da balança comercial entre Portugal e o Pará.

Em 2001, Portugal importou US$ 18 milhões em produtos do Pará (minério, madeira, couro, pimenta do reino, pescados e palmito) e exportou apenas US$ 30 mil. A consulesa de Portugal no Pará, Maria Leonor Esteves, que também apóia a iniciativa, disse que é possível estabelecer parcerias para que os produtos portugueses possam ser vendidos nas lojas paraenses. Localizado no extremo norte, na Amazônia, o Pará tem o segundo maior território do Brasil, com 1,253 milhão de km quadrados, e uma população de 6,2 milhões de pessoas, segundo o senso de 2000. O Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, segundo Sérgio Leão, já atingiu os US$ 16 bilhões, dos quais 20,9% do setor primário, 41,1% da indústria e 38% dos serviços. Das cerca de 21 mil empresas instaladas no Estado, sobretudo de serviços, a maior é a Vale do Rio Doce (CVRD), a segunda maior mineradora do mundo.

MLU.

in 'Lusa', 3 de Fevereiro de 2003